quarta-feira, 21 de maio de 2025

Joaquim – O "Coisa Ruim" (Que Ninguém Nota, Até Ser Tarde Demais)

Por "O Cronista do Insólito"    Algum dia de novembro 2023

 Você já cruzou com alguém tão comum que a sua mente simplesmente... apagou?

Talvez tenha sido em um bar esquecido no fim de uma rua sem nome. Um homem sentado no canto, camisa bege desbotada, calça marrom um tanto fora de época. Sapatos limpos demais para o chão imundo. Um olhar que parece não estar ali — ou estar demais.

Esse é Joaquim. Ou Joaquim Almeida. Ou talvez Joaquim Santos. Nomes mudam, rostos se perdem. A única certeza é o desconforto que fica quando ele se vai, como um cheiro de carne podre que só se sente tarde demais.

Ele não é um assassino, não é um espírito, não é um demônio no sentido tradicional. Joaquim é o tipo errado de presença — um vazio disfarçado de gente, que chega sorrindo e pergunta:

"Você já viu alguém sumir sem deixar rastro?"

Ou:

"Sabe qual é o pior medo do Renato?"

Você ri, tenta ignorar. Cinco minutos depois, nem lembra da conversa. Mas aquela sensação… algo se partiu lá dentro.


as vezes ele é assim...

Ninguém Sabe ao Certo Quem Ele É

Dizem que era um contador nos anos 50. Que descobriu algo que não devia nos arquivos da polícia. Que morreu em um incêndio e... voltou. Ou nunca morreu. Ou nunca foi humano. O que se sabe é que ele não tem alma – só um eco, um buraco, uma ausência que atrai tragédia como um ralo suga água suja.

Ele não mata. Mas sussurra. Insinua. Revela verdades que destroem. Já acordou bêbados aos gritos em camas alheias. Já fez bons homens pularem de pontes. Tudo com aquele sorriso manso, aquela voz que ninguém consegue lembrar, e aquele reflexo... que nunca aparece no espelho do bar.

Onde Ele Anda?

Joaquim surge em bares esquecidos, postos de gasolina no meio do nada, rodoviárias onde a luz pisca e ninguém quer sentar ao lado dele. Ele nunca bebe. Só observa. Espera. Às vezes, quando alguém pisca, ele já foi — e ninguém viu como saiu.

As câmeras tentam capturá-lo. Falham. Ele sempre sai borrado, cortado, como se a própria realidade estivesse tentando censurar sua existência.

E a trilha sonora? Quando ele aparece, os copos tremem ao som de “The End” do The Doors. E quando se vai, só resta o eco melancólico de “Tempo Perdido”, da Legião Urbana.

“Todos os dias quando acordo / Não tenho mais o tempo que passou…”

Por Que Falar Dele Agora?

Porque ele está voltando. Ou nunca se foi. E porque as Crônicas de Medo e Mistérios começaram a registrar padrões, sussurros, coincidências demais para serem só coincidências. Pessoas esquecidas. Desaparecimentos sem pistas. Medos antigos que retornam à tona.


                                     ...mas pode ser assim...

E em algum canto da memória de quem viveu para contar, sempre há alguém de camisa bege, calça marrom e sapatos limpos demais.

Lembre-se de uma coisa:
Se você ouvir a pergunta certa no momento errado… talvez seja tarde demais.


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