Por "O Cronista do Insólito" Algum dia de novembro 2023
Você já cruzou com alguém tão comum que a sua mente simplesmente... apagou?
Talvez
tenha sido em um bar esquecido no fim de uma rua sem nome. Um homem sentado no
canto, camisa bege desbotada, calça marrom um tanto fora de época. Sapatos
limpos demais para o chão imundo. Um olhar que parece não estar ali — ou estar
demais.
Esse é Joaquim.
Ou Joaquim Almeida. Ou talvez Joaquim Santos. Nomes mudam, rostos
se perdem. A única certeza é o desconforto que fica quando ele se vai, como um
cheiro de carne podre que só se sente tarde demais.
Ele não é
um assassino, não é um espírito, não é um demônio no sentido tradicional.
Joaquim é o tipo errado de presença — um vazio disfarçado de gente, que
chega sorrindo e pergunta:
"Você
já viu alguém sumir sem deixar rastro?"
Ou:
"Sabe
qual é o pior medo do Renato?"
Você ri,
tenta ignorar. Cinco minutos depois, nem lembra da conversa. Mas aquela
sensação… algo se partiu lá dentro.
Ninguém Sabe ao Certo Quem Ele É
Dizem que
era um contador nos anos 50. Que descobriu algo que não devia nos arquivos da
polícia. Que morreu em um incêndio e... voltou. Ou nunca morreu. Ou nunca foi
humano. O que se sabe é que ele não tem alma – só um eco, um buraco, uma
ausência que atrai tragédia como um ralo suga água suja.
Ele não
mata. Mas sussurra. Insinua. Revela verdades que destroem. Já acordou bêbados
aos gritos em camas alheias. Já fez bons homens pularem de pontes. Tudo com
aquele sorriso manso, aquela voz que ninguém consegue lembrar, e aquele
reflexo... que nunca aparece no espelho do bar.
Onde Ele Anda?
Joaquim
surge em bares esquecidos, postos de gasolina no meio do nada, rodoviárias onde
a luz pisca e ninguém quer sentar ao lado dele. Ele nunca bebe. Só observa.
Espera. Às vezes, quando alguém pisca, ele já foi — e ninguém viu como saiu.
As
câmeras tentam capturá-lo. Falham. Ele sempre sai borrado, cortado, como se a
própria realidade estivesse tentando censurar sua existência.
E a
trilha sonora? Quando ele aparece, os copos tremem ao som de “The End”
do The Doors. E quando se vai, só resta o eco melancólico de “Tempo Perdido”,
da Legião Urbana.
“Todos os
dias quando acordo / Não tenho mais o tempo que passou…”
Por Que Falar Dele Agora?
Porque
ele está voltando. Ou nunca se foi. E porque as Crônicas de Medo e Mistérios
começaram a registrar padrões, sussurros, coincidências demais para serem só
coincidências. Pessoas esquecidas. Desaparecimentos sem pistas. Medos antigos
que retornam à tona.
E em
algum canto da memória de quem viveu para contar, sempre há alguém de camisa
bege, calça marrom e sapatos limpos demais.
Lembre-se
de uma coisa:
Se você ouvir a pergunta certa no momento errado… talvez seja tarde demais.


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