Jornal “A Página Perdida”
Jornal de Mistérios Urbanos | Edição Especial
Era um sábado cinzento quando Clara, uma jovem entusiasta de antiguidades, encontrou uma câmera analógica em uma venda de garagem esquecida no fim da rua dos Andradas. O objeto, encoberto por uma camada espessa de poeira e com um odor leve de mofo, exalava um estranho magnetismo. O dono da garagem, um senhor de voz rouca e olhos vidrados, comentou com naturalidade inquietante:
— Ainda tem um filme dentro... nunca foi revelado. — disse, antes de virar as costas, como se não quisesse falar mais sobre o assunto.
Clara, impulsionada por sua paixão por histórias perdidas no tempo, comprou a câmera sem hesitar. Levou-a para casa, onde passou a noite examinando cada detalhe: o couro envelhecido da alça, os parafusos enferrujados, e aquele clique mecânico do obturador, ainda funcionando como se o tempo não tivesse passado.
Clara observa atentamente a câmera analógica encontrada em uma venda de garagem. Na noite seguinte, ela descobriria que o último clique do obturador revelaria algo impossível.
Na manhã seguinte, decidiu revelar o filme em um pequeno estúdio fotográfico da região central. As primeiras imagens surgiram banhadas em uma nostalgia familiar: um casal sorrindo em um parque, uma criança segurando um balão vermelho, um cachorro brincando na grama. Tudo parecia retratar uma rotina comum de tempos passados. Mas então, veio a última imagem.
E foi quando o mistério começou.
Era Clara. Dormindo.
A foto mostrava exatamente como ela estivera na noite anterior: deitada em sua cama, com o rosto virado para a janela, o lençol bagunçado do mesmo jeito. A luz da lua incidia suavemente sobre sua pele, atravessando as cortinas com a mesma inclinação que ela lembrava. Mas o que a fez estremecer foi o ângulo da imagem.
Não poderia ter sido tirada de fora, nem do teto. Era como se a pessoa que a fotografou estivesse de pé, aos pés da cama. Dentro do quarto.
Assustada, Clara virou a fotografia. Atrás, uma inscrição feita com caneta azul, em uma caligrafia cuidadosa, porém ligeiramente trêmula:
"Linda, quando está tranquila. — Três horas e dezessete minutos da manhã."
Um arrepio percorreu-lhe a espinha. O coração acelerou. Levantou-se num salto, percorrendo o quarto com os olhos. Não havia sinal de invasão. Mas a porta do quarto estava entreaberta. Clara tinha certeza de que a fechara antes de dormir.
O ar parecia mais denso. O silêncio, mais profundo. Cada passo que dava pelo assoalho de madeira fazia um rangido que parecia ecoar como um aviso. Aquela noite, por precaução, Clara dormiu com as luzes acesas.
Mas o verdadeiro horror a esperava pela manhã.
A câmera.
Ela estava de volta à mesa da sala.
A câmera analógica que Clara comprou por acaso. Poeira antiga, cheiro de mofo... e um filme não revelado. O que ela capturou ninguém jamais deveria ter visto.
E havia um novo clique registrado no contador de exposição do filme.
Três horas e dezessete minutos da manhã.
De novo.
________________________________________
[Continua...]
Se você achou que essa era apenas mais uma história de garagem, pense bem antes de trazer o passado para dentro de casa.

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