Por Renato Ferreira - especial para "A página Perdida"
Tudo começou durante a cobertura de um festival de heavy metal no interior de Minas. Eu estava ali para escrever uma matéria sobre a cultura underground e os devotos do som pesado. Entre uma entrevista e outra, um fã com olhos vidrados me abordou. Em suas mãos, um espelho antigo com moldura de ferro retorcido. "Olhe com cuidado, Renato. A música sabe", ele murmurou antes de desaparecer na multidão.
O espelho antigo entregue por um fã durante o festival — com moldura de ferro e reflexo perturbador.
Guardei o espelho pensando que era apenas um gesto excêntrico. Mas naquela noite, de volta à pousada, com "The Number of the Beast" do Iron Maiden ecoando no fundo, resolvi encarar meu reflexo.
Um homem encara o espelho antigo em um quarto escuro de pousada, olhos escurecidos e sorriso perturbador refletidos.
Meu rosto estava ali, claro. Mas os olhos... não eram meus. Eram mais escuros, fundos, com um brilho de sarcasmo gelado. E o sorriso? Um esgar debochado, um tanto cruel. Pisquei. Balancei a cabeça. Mas a imagem persistia.
Aterrorizado, joguei o espelho no lixo da pousada. No dia seguinte, ele estava de volta, sobre minha mesa, como se nunca tivesse saído dali. Ninguém na pousada soube explicar. Comecei a investigar.
Descobri que aquele espelho pertencia a um colecionador de relíquias ocultistas desaparecido nos anos 80. O homem foi visto pela última vez entrando em um casarão antigo na chamada Rua do Inferno, um local evitado pelos moradores locais.
Busquei explicações. Um psicólogo disse ser fruto de estresse acumulado. Um paranormal afirmou tratar-se de um portal dimensional. Um roadie do festival relatou ter visto um homem vestindo uma camiseta do Iron Maiden rondando minha barraca durante a madrugada. Nenhuma das respostas trouxe paz.
Então o reflexo começou a falar.
O espelho trincado reflete um rosto distorcido sussurrando “666”, com símbolos ocultos levemente visíveis.
No início, eram sussurros. Depois, palavras nítidas: *"Six, six, six..."* Tentei gravar com o celular, mas o áudio sempre saía limpo. Mostrei o vídeo a amigos. No espelho, apenas meu rosto, calado, olhando fixamente para a lente.
Aos poucos, perdi o sono. Meus amigos se afastaram. Meu trabalho começou a ruir. E o espelho... sempre presente. Mudava de lugar sozinho. Aparecia no banheiro, no carro, no bolso do meu casaco. Comecei a duvidar da minha sanidade.
Ontem, vi nele um símbolo estranho. Uma marca idêntica à do caderno que encontrei nas ruínas do casarão da Rua do Inferno. Um círculo com três traços verticais cruzando-o.
O espelho, agora rachado, repousava entre livros antigos — e refletia algo que não estava ali.
Hoje, o espelho está rachado. Mas o reflexo ainda me olha. Com aqueles mesmos olhos que não são meus. O sorriso está maior agora. E eu me pergunto: sou eu quem vejo o espelho... ou ele quem me vê?
Nova crônica na próxima semana. Siga acompanhando o Crônicas de Medo e Mistérios e descubra até onde vai a verdade por trás do espelho.
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